O centro de Tirana tornou-se uma vitrine de edifícios projetados por arquitetos internacionais, de uma torre coberta de árvores, assinada por Stefano Boeri, a um condomínio da MVRDV com formato de cabeça humana. Os projetos refletem um boom da construção promovido pelo primeiro-ministro Edi Rama, mas também se tornaram foco de descontentamento público, em meio a protestos e debates sobre as oportunidades para arquitetos albaneses.
Rama afirma que a arquitetura pode influenciar a sociedade e apoiou ou incentivou mais de 50 concursos internacionais de arquitetura desde que se tornou prefeito de Tirana e, mais tarde, primeiro-ministro. Segundo Adelina Greca, que dirige a Agência Nacional de Planejamento Territorial, arquitetos estrangeiros venceram 48 desses concursos; escritórios albaneses que concorreram sozinhos venceram dois. Os vencedores estrangeiros precisam trabalhar com arquitetos licenciados na Albânia.
Entre os resultados estão a Pirâmide de Tirana, transformada em espaço de uso público pelo escritório MVRDV, de Roterdã; uma torre verde do arquiteto italiano Stefano Boeri; e o Hotel Plaza, do escritório belga 51N4E. A MVRDV também projetou um condomínio cuja fachada forma um rosto. Os arquitetos o identificam como Skanderbeg, figura militar albanesa do século XV, enquanto alguns moradores o associam a Rama. O primeiro-ministro chama ambas as interpretações de lendas urbanas.
Os projetos não foram recebidos com aprovação unânime. Manifestantes pediram que os “starchitects” internacionais fossem embora, e alguns arquitetos albaneses questionam se escritórios estrangeiros estão tirando trabalho de profissionais locais. Johan Anrys, da 51N4E, disse que o estúdio da empresa em Tirana emprega 20 arquitetos albaneses e argumentou que os escritórios estrangeiros trouxeram mais trabalho para os arquitetos locais do que lhes tiraram.
Os protestos, que começaram em maio, se intensificaram no outono. Algumas manifestações danificaram edifícios, incluindo a Pirâmide de Tirana, enquanto confrontos também deixaram centenas de feridos, segundo as autoridades. A oposição à arquitetura estrangeira se vinculou a sentimentos ambientalistas e anti-Trump depois que Rama apoiou os esforços de uma empresa associada a Jared Kushner e Ivanka Trump para desenvolver resorts de luxo em terrenos até então não desenvolvidos.
A escala das ambições arquitetônicas é maior do que o que foi construído até agora. O livro de Anneke Abhelakh, “The Albanian Files”, descreve o trabalho de 60 escritórios estrangeiros e lista mais de 500 projetos, dos quais cerca de um décimo foi concluído. Rama também sugeriu transformar o livro em um museu, com espaço de exposição para cada escritório, e disse que o responsável pelo projeto seria escolhido por meio de um concurso internacional.
Fontes: Architectural Digest.
